Benvindo a Pirenópolis
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Pequi é só o ouro

O Pequi é uma iguaria muito apreciada em Pirenópolis. Seu forte aroma e paladar perfuma as ruas da cidade em seu tempo, no final do anos, de outubro a janeiro, e enriquece a culinária dos pirenopolinos. Por isso que é só o ouro.

O pequi, Caryocar brasiliense, da família Caryocaceae, é um fruto nativo do cerrado brasileiro, consumido largamente por todo o estado de Goiás. Na língua indígena significa "casca espinhenta". O fruto do pequizeiro, árvore frondosa de cerrado e cerradão, é produzido entre outubro e fevereiro, época de safra. De cor verde, quando maduro, possui em seu interior um caroço revestido por uma polpa macia e amarela, a parte comestível. Comestível também é a sua castanha torrada, que para ser retirada é necessário quebrar o caroço.

A polpa (mesocarpo) do pequi, de coloração amarela forte, tem seu paladar bastante característico, é forte e costuma agradar de maneira intensa ou desagradar sobremaneira, não há meio termo. Consome-se cozido, puro ou misturado com arroz, frango etc. Da polpa também pode ser extraído um óleo, o azeite de pequi, usado para condimento e na fabricação de licores.

Para se comer o pequi, é necessário extremo cuidado. No caroço, por debaixo da polpa, há inúmeros e minúsculos espinhos que podem causar sérios ferimentos à língua e lábios. Portanto não se deve morder o pequi, mas sim roê-lo. Esta especificidade afasta a tentativa de degustação de pessoas que desconhecem a maneira adequada de comê-lo, perdendo, deste modo, a oportunidade de experimentar um sabor peculiar e característico. Entretanto, a arte de roer a polpa macia e saborosa do pequi é algo que se aprende com facilidade.

O ideal é consumí-lo cozido durante os meses de safra. Mas existe a condição de se guardar o pequi congelado ou em salmoura. Deve-se ter cuidado com as conservas em salmoura, pois é comum a fermentação, o que pode causar algumas intoxicações.

Diz-se que do pequi ninguém esquece. Ele é excelente para a memória. Seu forte gosto e perfume penetrante, fica na língua e no refluxo do estômago por horas. Se o desavisado mordê-lo, aí então é que nunca mais vai esquecê-lo. Com o pequi não tem meio termo: ou o ama ou o odeia. O primeiro contato nunca é muito amistoso. Mas, com a convivência vai se descobrindo as nuances de seu paladar e passa a nutrir até uma certa paixão, uma espera ansiosa pelo seu encontro, tenro, perfumado e único.